segunda-feira, 18 de maio de 2009

Modinha.

A balada rola solta. Na pista, muita ferveção, a galera dançando, bebendo, se divertindo...
A menina olha um gatinho, mas não rola nada. Olha outro, mas... hoje está sem sorte. Mas, eis que, de repente, a noite é salva... pela sua amiga! As duas se beijam e a justificativa de ambas é: “já que não fiquei com nenhum cara, beijo minha amiga mesmo, assim, não fico no zero a zero.” Detalhe: as duas se definem como heterossexuais.

Cenas como a descrita acima são cada vez mais comuns nas danceterias heteros, entre meninas de 13, 14, 15 anos.

Na verdade, acho estranha essa prática. E não sou uma pessoa antiquada ou preconceituosa, muito pelo contrario. Só acho que isso é mais uma modinha entre meninas que se querem dizer “modernas” do que uma opção sexual de verdade. Se eu fosse uma garota lésbica, me sentiria incomodada também, pois tais atitudes acabam dando munição às criticas dos preconceituosos que procuram qualquer pretexto para denegrir a imagem dos homossexuais, tiram a credibilidade daquelas que se assumem como gays, pois agora, além de enfrentar os preconceitos tão comuns no nosso dia a dia, essas meninas ainda vão ter que ouvir comentários como “ah, mas você está falando isso só porque está na moda, logo, logo vai passar”.

Tivemos duas novelas em horário nobre com casais lésbicos em suas tramas (Mulheres Apaixonadas e Senhora do Destino) e de repente, junto com a saudável discussão sobre o tema, tivemos uma onda fashion de que ser lésbica estava na moda, era algo “cool”. Do mesmo jeito que temos agora a febre das roupas e adereços indianos. A comparação pode soar estranha, mas é verdadeira. Depois que a novela acaba, termina essa febre pelo novo, pelo exótico e os saris indianos vão ficar esquecidos no fundo do armário.

Para essas meninas, beijar uma outra garota não é uma questão de opção sexual e sim um jeito de mostrar que são modernas e também para atrair a atenção dos meninos. Elas não têm interesse em levantar nenhuma bandeira, nem de se engajar em nenhum projeto voltado ao publico gay, nem de se assumirem como lésbicas – afinal, se definem como heteros. Querem apenas se divertir, e quando a moda passar, elas voltam a beijar meninos e vão torcer o nariz ao verem um casal de mulheres.

Fica a pergunta: atitudes como as dessas garotas ajudam realmente a diminuir o preconceito, ou ao contrário, acabam reforçando-o ainda mais?

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Primeira festa da ILlha!

Rolou nessa segunda-feira, dia 20 de abril a 1º festa promovida pelo site a Illha, no bar Santa Sara.
Estive la, conferindo, e mesmo sendo uma noite fria e vespera de feriado, o bar estava cheio. As garotas chegavam e logo iam se acomodando nas mesinhas no bar, ou no andar superior, onde rolava MPB, num clima mais intimista, ideal para namorar, ou então iam para a pista, que fervia ao som de Madonna e boa música eletrônica.
Todas se mostravam receptivas à abordagem da Equipe da Illha, que distribuíram DVD´s e também suporte para copos com o logo do site estampado. Aliás, essas bolachas fizeram um sucesso!!! Todo mundo pedia... afinal, como não se encantar com a simpática sapinha... Ficou super fofo!
Havia muitos heteros também, todos convivendo num clima de harmonia, todos dentro da illha, cada um na sua praia... Afinal, mais uma vez ficou provado, que é nenhum problema ir numa festa de meninas que gostam de meninas. As pessoas, independente da sua opção sexual, só querem se divertir.
Foi muito gratificante para toda Equipe da Illha ver que as meninas já conheciam o site, que imprimiram os flyers para entrar na balada, que se mostravam interessadas nos blogs e principalmente na ideia principal do site, de ser um site voltado só para garotas, para divulgar matérias, dicas de festas, de seriados e filmes, disponibilizar um chat para bate-papo. Ouvíamos comentários do tipo: "poxa que legal, é sempre bom ver que tem gente empenhada em divulgar nossa causa" ou "identifiquei-me com a história do blog, porque já vivi situação semelhante"...
Esse feed-back é muito legal, pois nos mostra que estamos no caminho certo!

E com certeza, a próxima festa da Illha vai bombar ainda mais! Aguardem!!!!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

E agora?

O assunto desse texto será em homenagem a uma grande amiga - uma pessoa muito especial que me ajudou a ver o mundo gay totalmente sem preconceitos, numa época que esse assunto era um tremendo tabu.

Lembro-me muito bem do dia em que ela se assumiu. Veio falando cheia de dedos, a voz tremula, aflita, claramente com medo da minha reação. O choque foi enorme. O grito de espanto saiu da minha garganta antes que pudesse me conter.

Como assim, lésbica? Tudo bem, ela nunca foi muito feminina, mas sempre namorou meninos e nunca havia insinuado sentir qualquer atração por meninas.
Então, como, de uma hora para outra, ela me vira e solta essa bomba??!!!

E agora? Como seria nossa relação? Que mundo e que baladas ela freqüentaria agora?

Passado o impacto inicial, vi que minha amiga continuava a mesma pessoa. Ela não havia se tornado diferente por gostar de garotas. Nem melhor e nem pior. Aos poucos, começamos, juntas, a desbravar o universo gay, tarefa que, no inicio dos anos 90, era extremamente difícil, não só pelo preconceito, mas também pela falta de lugares legais para ir.

À medida que o tempo passava, comecei a perceber o quanto minha amiga tinha sofrido na adolescência. Por anos, ela havia tentado abafar aquele sentimento que surgia, indo a lugares que nada tinham a ver com ela, beijando diversos meninos para ver se sentia a mesma empolgação que as amigas, sentindo-se diferente por achar a Mara Maravilha muito mais gostosa do que o Rick Martin e se culpando muito por isso. Foi difícil para ela se aceitar, pois o mundo gay sempre fora tachado de sujo e aqueles que se assumiam eram rotulados como devassos, doentes, imorais. Agora, pensem como ficou a cabeça de uma garota de 16 anos tendo que lidar com tudo isso...

Nossa relação de amizade nunca mudou. Ao contrário, tornou-se mais forte ainda, havia uma confiança e um respeito mútuo entre nós. Ela falava das “suas meninas”, eu falava dos “meus meninos” e dávamos boas risadas sobre as diferenças, conversávamos sobre nossos medos, que eram semelhantes, independentemente da nossa escolha sexual, sobre nossos desejos...

O mundo hétero e o mundo gay não precisam se excluir, guerrear um contra o outro. Ambos são divertidos, em ambos existem pessoas sacanas e pessoas “do bem”, todos poderiam dar as mãos e juntos, lutarem por um mundo mais justo.

Amiga, obrigada por me mostrar tudo isso! Obrigada por me fazer ser uma pessoa sem preconceitos!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Situações

Trabalhar em uma empresa significa que estamos sujeitos às fofocas e maledicências de nossos colegas – independente do tamanho da empresa ou do segmento em que atua. Somos criticados pelas roupas que usamos, por nosso carro, pela falta ou excesso de maquiagem, por usarmos um perfume muito doce, etc, etc.

Situações como as descritas acima não são nada agradáveis, porém o caso pode se tornar muito mais grave caso alguém suspeite que determinado colega é gay. Ai sim vão surgir pelos corredores comentários maldosos, piadinhas sem graça, olhares reprovadores, risadinhas...

Para evitar tais situações, muitos acabam escondendo sua verdadeira opção sexual, com medo de serem prejudicados no serviço, de serem julgados, de terem sua moral posta em xeque, como se fossem criminosos. Assim, é muito raro alguém dizer claramente “eu sou gay”, pois o preço a se pagar é muito alto. É triste saber que muitas pessoas têm que viver na “clandestinidade”, como se estivessem fazendo algo ilegal. Conseqüentemente, é freqüente vermos homens levando “acompanhantes” em jantar de negócios, apresentando-as como namoradas, ou meninas tendo que “criar” um namorado fake para justificar, por exemplo, a aliança que trazem no dedo.

E o que acontece, por exemplo, se uma garota lésbica for almoçar com suas colegas de trabalho, todas heteros? Com toda a certeza, em algum momento da refeição, o assunto à mesa passará a ser aquele gato do Departamento Financeiro, e a pobre coitada terá que elogiar o corpo sarado e musculoso do rapaz (sem que isso lhe dê o menor prazer) porque senão, vai taxada como “esquisita” pelas outras mulheres. Ela será “obrigada” a elogiar o tamanho do bíceps do rapaz (e outras cositas mais...), terá que dizer que o acha um tesão, fingir que também sente calafrios quando ele passa no corredor quando, na verdade, isso tudo não lhe desperta o menor interesse.

Por que será que a opção sexual de um colega incomoda a tantas pessoas? Que diferença faz se o advogado que trabalha com você é gay, ou se a Gerente de Marketing gosta de mulheres? Isso os torna menos capazes para exercerem suas funções na empresa? Que relevância tem a vida privada de cada individuo em seu ambiente de trabalho?
É certo alguém ter que esconder um namorado ou namorada ou ter que fingir ser aquilo que não é apenas porque a sociedade impõe que o modelo heterossexual é o modelo correto a ser seguido? Devemos julgar um profissional pela sua capacidade em desempenhar a tarefa que lhe é designada, e nosso julgamento e criticas devem se restringir apenas a isto.


Fernanda Dias